Programa de governo dedica capítulo a atacar entidades sindicais sob o título “o trabalhador em primeiro lugar, não o sindicato”; resultado do primeiro turno fortalece bancadas historicamente alinhadas a cortes em políticas públicas
Dois movimentos recentes, embora distintos, se conectam diretamente nos efeitos que podem produzir sobre a vida de servidores públicos e trabalhadores em geral: de um lado, o avanço expressivo da direita e extrema direita no primeiro turno das Eleições 2026; de outro, um programa de governo que dedica uma seção inteira a questionar a legitimidade da organização sindical. Juntos, esses fatores desenham um cenário de atenção redobrada para a categoria representada pelo Sintsep-GO em Goiás.
O retrato do novo Congresso
O resultado do primeiro turno consolidou a maior bancada de um único partido desde a Constituição de 1988. O PL conquistou 121 deputados federais e 19 das 54 cadeiras do Senado, totalizando 28 dos 81 senadores a partir de 2027. Somando partidos aliados, a extrema direita soma 45 cadeiras no Senado.
No campo dos governos estaduais, o PL venceu em todos os três estados do Sul — Paraná (Sergio Moro), Santa Catarina (Jorginho Mello) e Rio Grande do Sul (Luciano Zucco) — além de Rondônia e Roraima. O Republicanos, por sua vez, elegeu governadores em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.
| Força política | Resultado no 1º turno |
|---|---|
| PL (Câmara) | 121 deputados — maior bancada desde a Constituinte |
| PL (Senado) | 19 cadeiras — 28 no total a partir de 2027 |
| Extrema direita (Senado, com aliados) | 45 cadeiras |
| Governos estaduais (PL) | 5 estados, incluindo todo o Sul |
| Governos estaduais (Republicanos) | SP, MG e MT |
Os efeitos concretos sobre o funcionalismo
Historicamente, políticas associadas a esse espectro político se traduzem em perdas concretas para trabalhadores e servidores, entre elas:
- Flexibilização de direitos trabalhistas — reformas que reduzem o poder de negociação dos empregados e enfraquecem sindicatos, como a Reforma Trabalhista de 2017 e a PEC 32 (Reforma Administrativa do setor público);
- Privatizações — venda de estatais que reduz investimentos em saúde, educação e transporte público;
- Desmonte de serviços públicos — redução de estrutura, pessoal e orçamento em órgãos que atendem diretamente a população.
“O trabalhador em primeiro lugar, não o sindicato”
É nesse contexto que o programa de governo de Flávio Bolsonaro apresenta uma seção dedicada a atacar as entidades sindicais. O texto questiona a participação de sindicalistas na formulação de políticas públicas e defende que o país se posicione contra o que chama de “República Sindical”.
Mas, diante dessa proposta, uma pergunta merece ser feita: quem ganha quando se enfraquece a organização coletiva dos trabalhadores?
Por que o sindicato é instrumento do trabalhador
Sindicatos foram construídos historicamente para que quem vive do próprio trabalho possa enfrentar, em melhores condições, relações econômicas e políticas marcadas por desigualdade estrutural. O papel dessas entidades é fortalecer a luta coletiva com autonomia, solidariedade e organização — e é exatamente por isso que são alvo frequente de ataques.
O Sintsep-GO, como entidade de base da Condsef/Fenadsef em Goiás, compartilha esse princípio fundador: defende a livre organização dos trabalhadores, sem interferência do Estado, com autonomia em relação a partidos e governos, e com arrecadação baseada exclusivamente na contribuição espontânea de seus filiados.
Uma luta que não é fragmentada
As reivindicações específicas de cada órgão, carreira ou categoria não existem fora de um contexto mais amplo. Salários, aposentadoria, jornada, condições de trabalho, orçamento, concursos, estabilidade e qualidade dos serviços públicos são atravessados por decisões econômicas e políticas que atingem todo o funcionalismo — e, com frequência, toda a classe trabalhadora.
É por isso que a unidade entre diferentes categorias e gerações — da ativa aos aposentados e pensionistas — fortalece cada luta específica. A pauta dos órgãos representados pelo Sintsep-GO em Goiás ganha força quando conectada a essa rede mais ampla de solidariedade sindical.
O caminho que resta
Diante de um cenário legislativo mais hostil às pautas da classe trabalhadora, a defesa dos direitos do funcionalismo depende, mais do que nunca, de organização, mobilização e escolha consciente nas urnas — pelo candidato à Presidência alinhado à defesa concreta desses direitos.
Sintsep-GO com informações do Sindsep-DF e Sindsep-PE



