Lula é reeleito, e o Brasil escolhe a democracia, valorizando o trabalho e o serviço público

Derrota de Flávio Bolsonaro nas urnas garante a democracia, com continuidade da negociação coletiva, da recomposição salarial e da defesa da seguridade social. Foi uma vitória da classe trabalhadora brasileira

O Brasil voltou a escolher o caminho da valorização de quem trabalha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o quarto mandato, derrotando Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, conforme declarou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A vitória veio numa disputa dura. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A virada no segundo turno foi inédita: 51,79% para o presidente Lula e 48,21% para Flávio. Os resultados mostram como foi apertada a disputa e como cada voto, inclusive os dos servidores públicos federais em Goiás, contou.

O que a vitória significa para o servidor público federal

Para a categoria, a eleição colocava em jogo dois modelos de Estado. O resultado das urnas preserva conquistas e abre caminho para novos avanços.

Negociação coletiva garantida em lei
  • O PL 1.893/2026, enviado à Câmara em 15 de abril, regulamenta a Convenção 151 da OIT no serviço público. O objetivo é acabar com o modelo em que o servidor depende da boa vontade de cada governo para conquistar reajustes e benefícios básicos.
  • A Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) foi reaberta neste governo. Antes disso, foram seis anos de portas fechadas, durante os governos Temer e Bolsonaro, com congelamento de salários e auxílios.
  • As mesas setoriais e os acordos coletivos continuam em andamento, o que dá segurança de que o diálogo não será interrompido.

Aposentados e pensionistas protegidos

Com Lula reeleito, afasta-se a ameaça do plano apresentado pela candidatura derrotada:

  • Desvincular o reajuste de aposentadorias, pensões e do BPC do salário mínimo. Isso traria perdas reais para quem já dedicou a vida ao serviço público.
  • Nova reforma da Previdência, com idade mínima de 67 anos para homens e mulheres.

Fortalecimento sindical e valorização do trabalho

O programa de governo reeleito prevê a retomada da assessoria sindical obrigatória nas homologações de rescisão. Também propõe a revisão de pontos da reforma trabalhista de 2017 e o fortalecimento das entidades sindicais dos setores público e privado.

Para o trabalhador em geral, segue em pauta o fim da escala 6×1, com jornada de 40 horas semanais e sem redução de salário. O tema nem sequer aparecia no programa de Flávio Bolsonaro.

Democracia, soberania e segurança

A eleição também foi um plebiscito sobre o tipo de poder que o país quer no comando.

O movimento sindical sempre alertou para os riscos de um projeto político alinhado à extrema direita, que ataca o serviço público, enfraquece os sindicatos e submete o país a interesses estrangeiros. A defesa do PIX e a proteção da produção nacional diante da ofensiva comercial dos Estados Unidos mostraram que soberania tem efeito no bolso do trabalhador.

É motivo de alívio que setores ligados à violência armada, às milícias e ao crime organizado não tenham conquistado a Presidência da República. Quem vive de um Estado forte e independente, como o servidor público federal, sabe que instituições sérias dependem de um governo comprometido com a lei e com a democracia.

O que vem agora

A vitória nas urnas não encerra a luta. Ela cria as condições para que a categoria avance:

  1. Aprovar o PL 1.893/2026 e consolidar o direito à negociação coletiva.
  2. Cumprir os acordos firmados nas mesas setoriais e destravar as pautas econômicas.
  3. Valorizar as carreiras e recompor as perdas acumuladas, com ganhos reais.
  4. Manter a mobilização, porque sindicato forte é o que transforma promessa em direito.


O Sintsep-GO agradece aos servidores federais goianos que foram às urnas e defenderam seu futuro, e reafirma o compromisso de seguir ao lado da categoria. O voto garantiu o rumo certo. Agora é hora de cobrar, negociar e conquistar.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil