Trabalhadores da Ebserh em Goiás decidem manter greve com cumprimento de liminar do TST

Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã desta quinta-feira, 2 de abril de 2026, na entrada do Hospital das Clínicas da UFG (HC/UFG), em Goiânia, os trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh/HU Brasil) decidiram, por ampla maioria, manter a greve, observando integralmente a decisão liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A assembleia foi convocada pelo Sintsep-GO para discutir os desdobramentos do Dissídio Coletivo de Greve, referente ao Processo TST nº 1000279-36.2026.5.00.0000, e as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027.

Liminar do TST impõe 80% do efetivo mínimo

A decisão liminar do TST determinou a manutenção de 80% do efetivo mínimo nas áreas médico/assistenciais e administrativas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A leitura da decisão foi feita, na assembleia, pelo diretor de Assuntos Jurídicos do Sintsep-GO, Alexandre Reis Coutinho.

A medida gerou forte indignação entre os trabalhadores presentes, que consideraram a determinação excessivamente restritiva ao direito de greve, especialmente em um contexto de reivindicação por recomposição salarial e valorização profissional.

Esclarecimentos jurídicos e contestação da decisão

Após a leitura da decisão, a assessora jurídica do Sintsep-GO, dra. Nathália Almeida, prestou esclarecimentos à categoria. Ela informou que as entidades sindicais nacionais e locais que representam os empregados da Ebserh irão contestar a decisão dentro do prazo legal de 48 horas, mas ressaltou a necessidade de a base deliberar sobre a continuidade ou não do movimento paredista.

Mesmo indignados com os termos da liminar, os trabalhadores decidiram, de forma consciente, pela manutenção da greve, com o compromisso de cumprir integralmente a decisão judicial, inclusive no que diz respeito à manutenção de 80% do efetivo mínimo.

Dissídio de greve não encerra possibilidade de negociação do ACT

Na assembleia, Alexandre Coutinho destacou um ponto fundamental: o dissídio em curso no TST é um Dissídio Coletivo de Greve, ou seja, seu julgamento – previsto para o dia 8 de abril – tratará da legalidade ou não da greve, e não das cláusulas econômicas e sociais do ACT 2026/2027.

Ele explicou que o Dissídio Coletivo específico sobre o conteúdo do Acordo Coletivo de Trabalho ainda não foi ajuizado, o que, em tese, mantém aberta, do ponto de vista jurídico, a possibilidade de negociação com a empresa até o chamado “período de defeso eleitoral”, que se encerra em 6 de abril de 2026.

Condsef/Fenadsef defenderá legalidade da greve e ganho real

No que for possível, a Condsef/Fenadsef e o Sintsep-GO seguirão à frente das negociações nacionais com a Ebserh. Segundo exposto na assembleia, a entidade irá atuar em duas frentes:

  • defender a legalidade da greve no julgamento do dissídio de greve no TST;
  • insistir na busca de um acordo que assegure não apenas a recomposição inflacionária, mas também ganho real para os trabalhadores, até o limite do prazo legal para celebração do ACT neste ano eleitoral.


A categoria reivindica, como parâmetro econômico do ACT, a recomposição de 100% do INPC, acrescida de ganho real, como forma de reconhecer a competência, a dedicação e a importância social do trabalho desenvolvido nos hospitais universitários administrados pela Ebserh.

Votação confirma continuidade da greve

Durante a assembleia, 45 presentes deliberaram a continuidade do movimento paredista, enquanto quatro votaram por sua suspensão. A mesma votação referendou o compromisso de cumprimento da decisão judicial e a a organização das escalas de trabalho com manutenção de 80% do efetivo mínimo nas áreas médico/assistenciais e administrativas.

Também foi aprovado o encaminhamento de manter a pauta de reivindicações negociada pela Condsef/Fenadsef e demais entidades nacionais junto à Ebserh, bem como o envio de ofício à superintendência da empresa comunicando formalmente as deliberações da assembleia.

Sintsep-GO comunica empresa e reforça compromisso com serviços essenciais

Em ofício encaminhado à superintendência do HC/UFG, o Sintsep-GO comunicou oficialmente:

  • a decisão da categoria de manter a greve;
  • o compromisso com o cumprimento integral da decisão judicial;
  • a disposição do Comando Local de Greve em organizar, em conjunto com a administração do hospital, as escalas de trabalho, de modo a garantir a continuidade dos serviços essenciais, especialmente urgência, emergência e demais atendimentos inadiáveis, no âmbito da decisão judicial.


O documento também ressalta que a categoria permanece em negociação, por meio de suas entidades locais e nacionais, buscando a formalização do ACT 2026/2027 com reposição inflacionária e ganhos reais, em respeito à dignidade e à valorização dos empregados da empresa.

Sindicato mantém diálogo aberto

O Sintsep-GO reafirma que permanece aberto ao diálogo e à negociação, buscando uma saída negociada que concilie:

  • o direito dos trabalhadores à recomposição e valorização salarial;
  • a prestação contínua e segura dos serviços de saúde à população.


Enquanto aguarda o julgamento do dissídio de greve no TST e a evolução das negociações nacionais, o sindicato seguirá acompanhando de perto a situação no HC/UFG e orientando a categoria sobre os próximos passos da mobilização.

Confira abaixo a íntegra da decisão do TST (1/4):
Confira abaixo a íntegra da nova decisão do TST (2/4):
Confira abaixo a resposta do jurídico da Condsef/Fenadsef ao TST (processo de mediação – Reclamação Pré-processual 1000238-69.2026.5.00.0000) que, conforme o resultado das assembleias dos trabalhadores da Ebserh em todo o país, rejeitou a proposta da empresa no dia 1º de abril de 2026: