Procurados pela Condsef/Fenadsef que representa os empregados da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., técnicos ferroviários apontam motivos pelos quais seria um péssimo negócio para o país abrir mão dessa empresa pública. A Valec possui um corpo técnico de carreira de alta qualificação e capacitação que chama a atenção para o imenso potencial da empresa. A Valec tem por lei atribuições e competências que podem impulsionar a economia brasileira e dinamizar a infraestrutura diminuindo consideravelmente o chamado “Custo Brasil”.

O “Custo Brasil” é a denominação que se dá aos custos de produção ou despesas que tornam desvantajoso a exportação de produtos brasileiros para o mercado internacional ou tornam difícil ao produtor nacional competir com produtos importados. Por sermos um País de dimensões continentais ainda muito dependentes de uma malha rodoviária, a diversificação de meios de transportar o que é produzido no Brasil é tema essencial para quem quer encontrar formas de melhorar nossa economia. Para vários especialistas, com investimento em seu potencial produtivo, a Valec não só seria capaz de arcar com o custeio de sua estrutura com recurso próprio como seria fonte de lucro, além de poder investir na infraestrutura do Brasil.

Crescimento econômico e papel social
Criada em 1971, a Valec começou a ser reestruturada apenas em 2008. Em 2012 concursos foram realizados substituindo um corpo funcional antes formado essencialmente por indicações políticas. A contratação por concurso colocou a Valec a serviço dos interesses da população. A empresa conta com profissionais concursados e um corpo técnico qualificado. Antes de passar por reestruturação, a empresa contava com mais de 200 processos no Tribunal de Contas da União (TCU) que hoje não passam de 14 que ainda estão em andamento.

Se essa evolução técnica e responsabilidade com o dinheiro público podem ser sentidas apenas por esse dado, ainda há mais que avaliar. O potencial da Valec é imenso. Há, segundo a própria empresa, diversos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental Social, os chamados EVTEAs, prontos aguardando apenas investimento na produção de uma malha ferroviária que ligaria os principais portos do País.

Para se ter noção desse potencial basta considerar que uma composição, o que equivaleria a um trem, tem capacidade para transportar a produção de cerca de 336 caminhões. Na contramão da extinção, técnicos da area defendem a melhoria na estrutura administrativa da empresa. “Hoje os empregados da Valec estão entre os únicos no País com know how na construção de novas ferrovias iniciadas do zero”, relata um engenheiro. “Eles conhecem os projetos e têm uma equipe técnica qualificada e a serviço dos brasileiros”, acrescenta.

Como exemplo da importância de se investir e impulsionar o que já foi feito, o profissional cita uma obra que está mais de 90% concluída e pode ligar em curto prazo a produção do Sudeste e Centro-Oeste e parte do Norte aos mercados da Europa, China e Estados Unidos, minimizando os custos da logística de transporte. O aperfeiçoamento dessa malha ferroviária interessa diretamente grandes, médios e pequenos produtores brasileiros. Impulsionando a economia e ampliando mercados, a Valec ganha ainda um importante papel também no desenvolvimento social das regiões do Brasil.

Revitalização
Com a melhoria fundamental nessa estrutura administrativa a Valec pode ainda, por lei, ser agente fiscalizador e atuar na revitalização de malhas já concedidas. Com isso, o sucateamento de ferrovias hoje já existentes deixaria de ser mais um entrave entre tantos para o reaquecimento de nossa economia.

Para a Condsef/Fenadsef, a ferrovia é um braço não apenas viável como essencial no universo continental da infraestrutura no Brasil. Interligando portos, aeroportos e rodovias que hoje fazem papel central no escoamento de nossos principais produtos, a Valec deve ser enxergada com todo o potencial estratégico e econômico que possui. “Extinguir uma empresa pública com essa capacidade é atrasar o desenvolvimento e impedir o Brasil de exercer seu protagonismo no mundo com uma economia sólida e socialmente desenvolvido”, argumenta Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação.

Com informações da Condsef/Fenadsef