Em Goiânia, haverá dois atos de protesto. O primeiro, “Cultura pela Democracia, Ditadura nunca mais!” ocorre no domingo, 31/03, a partir das 14 horas, no Cepal do Setor Sul. E, na segunda-feira, 1º de abril, entidades sindicais e movimentos sociais se encontram às 16 horas, na Catedral Metropolitana de Goiânia, para a marcha “Ditadura nunca mais, Democracia sim: punição aos torturadores”

Um coletivo de entidades dos movimentos social e sindical em Goiás se reuniu na manhã desta quarta-feira, 27/03, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT-GO) para definir a realização de atos de protesto contra a determinação do presidente Jair Bolsonaro ao Ministério da Defesa, para que sejam feitas comemorações em unidades militares no próximo dia 31 de março, para marcar o início da ditadura militar no Brasil.

No domingo, 31 de março, o ato “Cultura pela Democracia, Ditadura nunca mais!” terá início a partir das 14 horas, no Cepal do Setor Sul. E, na segunda-feira, 1º de abril, entidades sindicais e movimentos sociais se encontram às 16 horas, na Catedral Metropolitana de Goiânia, para a marcha “Ditadura nunca mais, Democracia sim: punição aos torturadores”. O protesto sairá da Catedral até o Monumento aos Mortos e Desaparecidos na Luta Contra a Ditadura Militar — situado na esquina das avenidas Assis Chateaubriand e Dona Gercina Borges.

Além do Sintsep-GO e das entidades que compõem o Fórum Goiano contra as Reformas Previdenciária e Trabalhista, até o momento integram o grupo a Associação dos Anistiados, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, o Sintect-GO (Correios), o Sintfesp GO/TO, o Stiueg (urbanitários de Goiás), o Coletivo Quilombo, a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBT, as centrais sindicais CUT e CTB-GO, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os partidos PCB, PSol e PT. Todos estão convidados a participar.

Uma data que deve ser sempre repudiada
31 de março de 1964 marca o início de um capítulo triste e trágico da história política brasileira. O dia que marcou o início de 21 anos de uma ditadura militar dura e sangrenta no Brasil, um longo e brutal período de terror, repressão, perseguições, prisões arbitrárias e assassinatos. Mais de 400 brasileiros foram mortos pelos órgãos de repressão e muitos deles estão desaparecidos até hoje.

Mesmo diante dos registros históricos dos tempos sombrios, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), adorador de torturadores como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e dos ditadores Alfredo Stroessner, do Paraguai, e Augusto Pinochet, do Chile, determinou ao Ministério da Defesa que sejam feitas comemorações em unidades militares no próximo dia 31 de março para marcar o início da ditadura militar no Brasil.

A reação à determinação de Bolsonaro foi imediata, com atos marcados em diversas capitais do país. Lideranças políticas se manifestaram em repúdio à medida e órgãos federais, como o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União, condenaram a ação de Bolsonaro.

Em 2011, por determinação da ex-presidenta Dilma Rousseff, que foi duramente torturada por agentes do regime ditatorial, a data já havia sido retirada do calendário oficial de comemorações das Forças Armadas.

Agora no governo, Bolsonaro, um capitão reformado, que chegou a homenagear o torturador Ustra durante a votação do Golpe de 2016 – que destituiu uma presidente legitimamente eleita por mais de 54 milhões de votos – quer trazer novamente a lembrança de um período sombrio da história que os brasileiros não querem mais viver.

Reações institucionais
A determinação de Bolsonaro foi condenada também por órgãos federais. Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) disse que comemorar a ditadura é “festejar um regime inconstitucional e responsável por graves crimes de violação aos direitos humanos”.

“É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos e cometeu crimes internacionais”, afirma o órgão em nota pública.

Já a Defensoria Pública da União ingressou com uma Ação Civil, na 9ª Vara Federal Cível de Brasília, determinando que a União e as Forças Armadas não realizem qualquer evento. Na ação, a defensoria proíbe, especialmente, o uso de recursos públicos para esse fim, sob pena de multa e caracterização de ato de improbidade administrativa.

Confira algumas cidades que já têm atos confirmados (em atualização):

Goiânia
-31/3 – “Cultura pela Democracia, Ditadura nunca mais!”
14h – Cepal St. Sul

-1/4 – “Ditadura nunca mais, Democracia sim: punição aos torturadores”
16h – Catedral Metropolitana (Rua 10)

Brasília
-31 de março
Eixão Norte (altura da 108), às 9h
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/255820012038543/

São Paulo
-30 de março
6º Ato Unificado Ditadura Nunca Mais
Rua Tutóia, 921, às 10h

-31 de março
Caminhada do Silêncio
Parque do Ibirapuera – Portão 7 (Praça da Paz), às 16h
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/2327473097484498/

-1 de abril
Debate ‘Ditadura nunca mais!’ – 55 anos do Golpe Militar no Brasil
Auditório ELFCH – Unifesp, às 18h

Rio de Janeiro
-31 de março
Caminhada do Silêncio
Cinelândia, 15h
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/2388250471403845/

Bahia
-1 de abril
Marcha do Silêncio
Praça da Piedade, em Salvador, às 14h
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/580979012371290/

Sergipe
-1 de abril
Palestra ‘O Golpe Militar de 1964’
Auditório da CUT-SE – Rua Porto da Folha, 1039 (Cirurgia), às 17h

Sintsep-GO com infomações da CUT