Em live, Internacional dos Serviços Públicos discute segurança dos profissionais na linha de frente do combate à Covid-19 e chama atenção para necessidade de forte investimento em políticas públicas quando for superada a fase aguda da doença

A Condsef/Fenadsef acompanhou na segunda-feira, 18/5, live da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) Interaméricas que contou com a participação da secretária-geral da ISP, a italiana Rosa Pavanelli. Rosa é da Lombardia, no norte da Itália, região mais afetada pela pandemia da Covid-19 naquele país. A secretária-geral trouxe reflexões sobre a necessidade de se promover uma valorização potente dos serviços e das políticas públicas no mundo no cenário pós-pandemia. No Brasil, preocupa as ações do governo Bolsonaro e projetos recentes aprovados no Congresso Nacional que vão em direção contrária a essa necessidade. O debate sobre a participação do Estado no controle dos efeitos da pandemia na vida das pessoas é fundamental e integrar os trabalhadores nesse contexto poderá dar o tom de que mundo será herdado e quais os efeitos potenciais das decisões políticas em torno dessa crise. 

A campanha “Trabalhadores protegidos salvam vidas” esteve no centro do debate que contou ainda com a participação da secretária Sub Regional da ISP-Brasil, Denise Dau, o secretário Regional da ISP Interaméricas, Jocélio Durmmond, e o presidente da CNTSS e membro integrante da ISP, Sandro de Oliveira Cezar. Denise apontou dados preocupantes do Brasil que é o segundo país com maior número trabalhadores da saúde contaminados e mortos, tendo superado Espanha e Itália, juntos. O reconhecimento da contaminação por Covid-19 como doença do trabalho é uma das prioridades da campanha da ISP.

A participação do presidente Jair Bolsonaro que tem minimizado a pandemia também foi fortemente criticada. “Temos um presidente que infelizmente estimula o rompimento da quarentena e causa problema no enfrentamento da pandemia. Já são dois ministros da Saúde que saem do governo por não concordarem com as práticas defendida por Bolsonaro”, destaca Dau. Para a secretária da ISP-Brasil, a campanha mundial da entidade com o mote “vidas acima do lucro” ganha relevância cada vez maior enquanto crise da pandemia avança. 

O presidente da CNTSS apontou a importância de dar visibilidade maior da realidade às pessoas que não vivenciam e não convivem com informações sobre o que profissionais na linha de frente estão enfrentando. “isso mostra o quão necessário é investir nos serviços públicos”, frisou. “A pandemia deve servir para que possamos pensar um mundo diferente desse onde haja mais solidariedade e esforço para garantir renda mínima a população mais vulnerável. Não haverá economia sem vida humana. Não importa o quanto avance tecnologia, sem o homem o mundo não avançará”, acrescentou Sandro. 

Reforma fiscal progressiva que traga recursos ao setor público
Para Drummond e Pavanelli é urgente buscar novos aliados na luta em defesa do serviço público. Um dos caminhos passa por uma reforma fiscal e tributária ampla no mundo. Drummond destacou a questão dos subsídios dado a empresas que não retornam para sociedade e representam bilhões em dinheiro público que se “joga no lixo”. A ISP quer fazer um estudo para mostrar como é nefasto para o país e a população esse esquema.

O secretário da ISP Interaméricas pontua também a situação de grandes empresas que não pagam imposto se utilizando de paraísos fiscais para evadir riquezas. “Esse debate tem que fazer parte da discussão em defesa dos serviços públicos”, defendeu. Uma reforma fiscal progressiva que traga recursos para que se possa de fato prestar serviços para sociedade é o que defende a ISP. “Não é ideologia. É a realidade de uma contradição das políticas neoliberais. Todos se dão conta agora como essa injustiça tem impacto real na vida das pessoas”, concluiu Pavanelli. 

Confira a íntegra da live:

Fonte: Condsef/Fenadsef