A plenária definiu 18 de março de 2020 como um Dia Nacional de Paralisação Mobilização, Protesto e Greves. As entidades reforçarão ainda o dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, como uma data importante de resistência. A atividade contou com a participação de 73 filiados/as do Sintsep-GO

Em continuidade às atividades da Plenária Nacional − Em Defesa dos Serviços Públicos Municipal, Estadual e Federal, das Empresas Estatais, do Brasil e dos Trabalhadores −, na tarde da última terça-feira, 26, as diversas entidades que organizam as categorias das três esferas do funcionalismo aprovaram um plano de lutas para o próximo período e um manifesto unificado que, entre outros pontos, destaca a importância do serviço público para a sociedade. A atividade, realizada no Teatro dos Bancários, em Brasília, contou com a participação de 73 filiados/as do Sintsep-GO.

Foi realizado ainda um ato político que, além de representantes do movimento sindical, contou com a representação de parlamentares que apoiam a luta. O plano de lutas aprovado na Plenária delibera uma série de ações a serem realizadas pelas entidades sindicais, todas com o objetivo de defender e fortalecer o serviço e os/as servidores/as públicos/as.

A plenária definiu 18 de março de 2020 como um Dia Nacional de Paralisação Mobilização, Protesto e Greves. As entidades reforçarão ainda o dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, como uma data importante de resistência. Ainda neste ano, outra ação importante acontece de 2 a 6 de dezembro, em que serão realizadas ações diversas, como panfletagem em locais estratégicos contra a Medida Provisória 905/2019, contra as Propostas de Emendas à Constituição (PECs) 186, 187, 188 e contra o Pacote de ajuste de Guedes.

Unidade
Já no dia 12 de fevereiro de 2020, será realizada uma atividade no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados para debater o tema. No plano de lutas, as centrais reafirmaram ainda a necessidade de discussão de realização de uma nova greve geral.

“Neste momento, precisamos mais do que nunca de unidade. Se temos divergências entre nós, devem ser colocadas de lado em função de um objetivo maior: lutar contra o que está posto pelo atual governo, contra o desmonte do setor pública. A luta pede unidade acima de tudo”, afirmou o presidente do Sintsep-GO, Ademar Rodrigues, em sua fala.

Ações voltadas para a área da comunicação também compõe o plano de lutas. Como parte delas, as centrais devem potencializar a divulgação do manifesto aprovado na Plenária em seus sites e redes sociais. Além disso, nos próximos dias, os setores de comunicação das entidades se reunirão para discutir uma campanha publicitária unificada de defesas dos serviços públicos e das estatais.

Com o objetivo de ampliar os debates em todos os espaços sociais, serão criados um comando unitário nacional e frentes únicas nos estados para organizar e unificar as mobilizações e o debate com a população.

Em parceria com as diversas frentes parlamentares, as centrais realizarão eventos diversos nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. A ideia que é sejam aprovadas moções dirigidas aos deputados federais e senadores evidenciando a indignação da população contra os projetos que enfraquecem o serviço público.

As deliberações ainda visam unificar as ações de enfrentamento com as duas casas do Congresso Nacional, Assembleias Estaduais, e Câmaras Municipais. Além disso, pretende-se repercutir essas ações junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A ideia é que, até o final do ano, seja criada uma agenda unitária de lutas e atividades. Propõem-se ainda discutir uma estratégia de mobilização unitária no campo jurídico.

O manifesto
Entre outros pontos, manifesto aprovado apontas as investidas do governo Bolsonaro contra o serviço e os servidores/as públicos/as. O texto ressalta ainda a importância da manutenção de serviços essenciais como públicos e fundamentais para a soberania nacional.

“Um país rico em recursos naturais, precisa ter empresas estatais e públicas fortes e serviços públicos municipais, estaduais e federais de qualidade, prestados gratuitamente para o povo. Ao invés de retirar direitos e recursos financeiros, é preciso investir nos serviços públicos de qualidade”, diz trecho do documento.

Leia o manifesto completo aqui.

Ato político
Após a aprovação do Plano de Lutas e do manifesto, as centrais realizaram um ato político, expressando, mais uma vez, posicionamento contrário ao desmonte do serviço. O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que “vivemos um momento terrível para a classe trabalhadora e não podemos perder a batalha em defesa dos servidores públicos e das estatais”.

Em seu discurso, Nobre lembrou que os momentos em que Brasil cresceu economicamente e socialmente − sendo considerado, inclusive, uma potência mundial − só foram possíveis porque tiveram o estado como estimulador. “A iniciativa privada não tem condições de alavancar a economia do país. Será uma luta desafiadora, mas com essa unidade de hoje, conseguiremos vencer”, disse.

“Tudo é visto como lucro. Cada aluno na universidade pública é um aluno a menos na universidade particular. Por isso que a luta dos países latinos tem tudo a ver conosco. O modelo que querem implantar lá é o mesmo que querem implantar aqui. e não há outro caminho a não ser resistir”, afirmou.

O mesmo entendimento é compartilhado pela presidenta da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT), Alessandra Camarano. Para ela, os países da América Latina estão se mobilizando contra o autoritarismo e o Brasil precisa iniciar um movimento semelhante. “E é importante lembrarmos que sem mobilização não há condições de avançarmos e alcançarmos um espaço civilizatório”, disse.

A advogada apontou que tem-se utilizado o sistema de justiça para criminalizar a mobilização dos trabalhadores/as. Como exemplo, ela citou o Sindicato dos Rodoviários dos Trabalhadores que, por participar da Greve Geral, teve quatro ações judiciais ajuizadas em tribunais diferentes.

“Temos a justiça que quer coibir a mobilização da classe, para assim, mergulhamos em um sistema de autoritarismo. Vivemos, hoje, uma democracia de fachada. Existe a democracia, mas as decisões tomadas pela justiça são usadas como mote para calar a voz do trabalhador. Porém, não podemos nos calar”, finalizou.

Confira o Plano de Ação unificado aqui.

Com informações da CUT Brasília